Acompanho o percurso artístico de Helena Netto, desde 1979, logo que finalizou o seu Curso de Belas Artes. Helena já era minha conhecida de há mais tempo e o seu talento era notório. No entanto, foi necessário um ato de coragem e ruptura com os padrões convencionais para tornar-se de fato uma artista.

É incomum entre os artistas de Minas Gerais, uma vinculação artística-ideológica aos grandes acontecimentos nacionais. Fala-se em artistas mineiros e nada mais.

Helena , antes de escultora, pintora é uma artista no sentido lato. Com a mesma facilidade que esculpe, usa materiais os mais diversos sem o medo de comprometer a sua imagem com movimenots passageiros e fugazes do nosso meio.

Sinto que já chegou a hora de Helena Netto ser inserida entre os descendentes de Lígia Pape, Lígia Clarck, Hélio Oiticica, Mary Vieira, Amilcar de Castro, Franz Weissman e Aloísio Carvão.

Construtivista por intuição, neo-concreta por opção. Helena é o retrato da atualidade na Arte Brasileira.

Belo Horizonte, 21 de Fevereiro de 1992

Delcir Costa
Colecionador de Arte.

   
   

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