Os cantos
do mundo se encontram na estação - que é
o único lugar do mundo que, embora parado, se move. A
estação celebra o encontro, o tempo dos vários,
dos cantos diversos, das melodias únicas. A estação
é o centro do mundo, percurso obrigatório de quem
vai para qualquer canto.
De um canto
vem Helena. O seu povo conhece a alma da natureza, dialoga com
pedras e paus, é povo de achadores, abençoados
pela infatigável procura que lhes permite achar o que
a matéria quer ser neste mundo. Povo que sabe quanta
coisa bonita cada fragmento traz consigo. Do cosmos, conhecem
as regras do caos e procuram doidos as leis da ordem. Do seu
mundo trazem vísceras, aquilo que os seres têm
de mais íntimo e de mais belo. Ao toque, as vísceras
se retomam e vibram e mexem e se tornam aladas, cantam o movimento
e a harmonia errática.
Flávio
de Lemos Carsalade